8 passos para lidar com pessoas difíceis

“Pastor Ken, eu estava aqui antes de o senhor chegar, e eu estarei aqui depois que o senhor tiver ido embora”.  Um membro antigo da minha primeira igreja disse isso há mais de 40 anos, quando ela e eu tivemos uma divergência sobre a missão da igreja. Foi uma discussão amigável, mas os limites foram claramente desenhados de formas intratáveis. Embora ela não tivesse nenhum cargo, ela era o “E.F. Hutton” da igreja: quando ela falava, todos escutavam.

Não foi exatamente assim que pensei que seria o início do meu ministério pastoral, mas isso se tornou uma oportunidade para a congregação trabalhar através das diferenças teológicas. A igreja, localizada em uma comunidade costeira singular e pitoresca, onde muitos turistas passavam o verão, era uma fusão de várias igrejas ao longo do ano. Como resultado, ela representava tanto perspectivas evangélicas conservadoras quanto teologicamente liberais sobre a fé e o ministério.

No nosso desacordo sobre a missão da igreja, minha preocupação era de que a igreja mantivesse um testemunho gracioso e bíblico na comunidade, bem como adorasse o único Deus verdadeiro de uma maneira que apoiasse a verdade bíblica. A mulher queria que a igreja não fosse nada mais do que um clube social formal. Ela também queria que a igreja protegesse um grupo feminino associado à igreja que era composto, em sua maioria, por pessoas da comunidade que não eram cristãs ou membros da igreja. Esse grupo era conhecido por hospedar as melhores feiras de Natal e verão na região, mas não tinha nada a ver com Deus. A questão se complicava com o fato de que esse grupo havia levantado o dinheiro para redecorar a casa pastoral de 150 anos logo antes da minha família mudar-se para lá.

Embora os evangélicos na igreja fossem uma forte maioria, nós éramos sensíveis à história da igreja com as suas diversas perspectivas teológicas. Além disso, nós éramos a única igreja em um distinto bairro da cidade. Por isso, nos movíamos lenta e deliberadamente. Foram necessários quase quatro anos para a igreja trabalhar essas tensões. No fim das contas, a congregação votou a favor de se alinhar exclusivamente a convicções evangélicas de verdade bíblica, e o grupo comunitário foi convidado a se desassociar da igreja, o que eles fizeram, mas não sem lágrimas e tristeza.
Tem sido um prazer servir outras igrejas como pastor e pastor interino ao longo dos anos, e tiveram líderes capazes e eficazes que amavam o Senhor e estavam dispostos a seguir o ensinamento bíblico. Na minha primeira igreja e nas subsequentes, aprendi alguns princípios sobre como lidar com pessoas difíceis. Aqui estão oito:

  1. Ore. É necessário que isso seja dito, pois na oração nós entregamos a questão a Deus e à obra do Espírito Santo de fazer a vontade de Deus. Orar não é pedir que seja feito do meu jeito, mas do jeito de Deus. É pedir por sabedoria, discernimento, coragem, graça e paciência, qualidades que precisamos especialmente no trabalho com líderes difíceis.
  2. Trabalhe com aqueles que você consegue. Busque aqueles que amam o Senhor e a sua verdade e estão comprometidos com o bem-estar da igreja. Discipule-os e encoraje o envolvimento deles na liderança.
  3. Pregue a Bíblia graciosa e redentivamente. Pregação cuidadosa, atenciosa e criteriosa tem um grande potencial de ajudar pessoas difíceis a amadurecerem na fé e a crescerem em piedade. Também edifica aqueles que têm um profundo comprometimento com a verdade de Deus, para que acompanhem você e trabalhem com pessoas difíceis na igreja.
  4. Seja honesto, mas discreto. Não faça fofocas sobre pessoas difíceis, mas esteja disposto a humildemente, mas diretamente, confrontá-las — ou “amor-frontar” como David Augsberger gosta de dizer — na esperança de que elas mudem ou vão embora. Às vezes é melhor fazer isso com um líder de confiança ao seu lado. Isso evita que conversas sobre o evento se tornem a sua palavra contra a da outra pessoa, sempre que a questão for além da conversa privada.
  5. Tenha uma visão de longo prazo. Deus é paciente, e a forma como ele tece as coisas é frequentemente diferente da nossa. Perceba que somos apenas parte do seu plano para a igreja. Uma pessoa planta, outra rega, mas é Deus quem dá o crescimento.
  6. Lembre-se que os membros pertencem a Deus. Nós nos referimos aos membros como “minha igreja”, mas sabemos que eles pertencem a Deus, não a nós. Assim, podemos entregá-los a Deus — às vezes com lágrimas e frustração — sabendo que Deus opera todas as coisas de acordo com o seu bom propósito.
  7. Confie em Deus. Alguém disse certa vez: “Deus é quem dá a cura; eu sou apenas o cuidador”.  Essa perspectiva nos capacita a confiar que Deus agirá conforme ele desejar para o bem dos membros e para o bem maior da igreja.
  8. Aprenda com a experiência. Um sábio líder cristão disse certa vez para um grupo do qual eu fazia parte: “Experiência pessoal é o único tipo de experiência que eu já tive”.  Então, não se desculpe pela experiência, incluindo os erros, mas aprenda a partir deles, sabendo que Deus usa a nossa experiência pessoal como campo de treinamento para futuros conflitos. Assim como a maioria dos pastores, eu prefiro ser um guardião da paz do que um pacificador, mas também aprendi que dolorosas experiências passadas, como na minha primeira igreja, me ajudam a lidar com dificuldades futuras com confiança e humildade (e essas duas qualidades podem conviver juntas).

Todo ministério, incluindo trabalhar com pessoas difíceis, é obra de Deus. Por isso podemos ser profundamente gratos, mesmo que seja doloroso e nós nem sempre entendamos o que está acontecendo. Afinal, não se trata de nós, mas de Deus.

 

Por Ken Swetland. Extraído do site www.9marks.org.Copyright © 2014 9Marks. Original: 8 Steps for Dealing with Difficult Leaders

Este artigo faz parte do 9Marks Journal.

Tradução: Alan Cristie. Revisão: Renata do Espírito Santo – © Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: www.MinisterioFiel.com.br. Original: 8 Passos para Lidar com Pessoas Difíceis

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

 

Unidade Constituída por Deus

Por Christie Tristão

Escolhi este tema para compartilhar com vocês hoje, porque creio que este é um assunto de extrema importância dentro do contexto Ministério de Louvor. Quando falamos de Ministério de Louvor, estamos nos referindo a um grupo de pessoas reunidas para cumprir um propósito. A respeito do propósito já compartilhamos nos artigos anteriores, e hoje iremos tratar de alguns pontos referentes aos relacionamentos dentro das equipes.

Um dos grandes desafios que enfrentamos na igreja de um modo geral, em relação ao cumprimento do propósito (a grande comissão) é a falta de unidade. No livro de João capítulo 17 em sua oração Jesus intercede ao Pai em relação à unidade com uma finalidade: “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste.” João 17: 20-24

Como igreja, corpo de Cristo nós temos uma missão a cumprir na terra. Fomos alcançados pela salvação, pelo amor de Deus e assim nos tornamos parte de um todo sobre o qual o cabeça é Cristo. A nossa conversão à Cristo significa renunciar o meu “eu” e me encher Dele. “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” Gálatas 2:20 A nossa missão será cumprida de fato, quando entendermos que para alcançar o propósito precisamos nos esvaziar de nós mesmos e nos render à vontade de Deus, assim como Jesus nos ensinou. “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo que devia apegar-se; mas esvaziou a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.” Filipenses 2: 5-7

Caminhar em unidade, renunciar o “eu”, tomar a nossa cruz, só se torna possível pela obra e graça de Deus em nós em resposta à nossa decisão pessoal de nos render ao senhorio Dele. Uma das grandes dificuldades que enfrentamos no grupo de louvor é referente aos relacionamentos de um modo geral. Toda equipe é formada indivíduos diversos, que trazem consigo uma bagagem (emocional e espiritual) distinta e pessoal. No caso do ministério de louvor, a equipe é formada por músicos que têm no seu DNA natural mais sensibilidade, necessidade de reconhecimento dentre outras características. Estas características sem a cruz de Cristo, elas se tornam grandes problemas e até mesmo um impedimento para o cumprimento do propósito que é servir à Deus e as pessoas. Um grupo de músicos cheios de si mesmo não chega a lugar nenhum, pode aprender a executar com beleza e arte a música, mas não passa disto.

Fomos chamados por Deus para vivermos o sobrenatural e irmos além de uma boa música. Temos um chamado para proclamarmos uma mensagem viva que transmite vida às pessoas. Só alcançaremos este propósito se decidirmos renunciar a nós mesmos e buscar de fato viver em unidade em Cristo Jesus.

Eu poderia enumerar vários problemas que acontecem comumente em nossas equipes em detrimento da falta de unidade, mas eu não teria como te apontar soluções humanas estratégicas que poderiam de fato solucionar os mesmos. A verdadeira solução não virá através de estratégias humanas, reuniões de unidade, ou qualquer outra atividade que não estiver respaldada e alicerçada nos princípios de Deus. Vejo em muitos lugares líderes cansados e desanimados pela falta de unidade dentro de suas equipes, tenho encontrado também pastores frustrados e desencorajados com a equipe de louvor, por outro lado existem queixas das equipes em relação ao relacionamento com os pastores e líderes. Enfim, onde há pessoas, há problemas, e onde há Deus há soluções. Eu gostaria de encerrar esta reflexão citando um texto maravilhoso que traz resposta para esta questão:

“Portanto, lembrem-se de que anteriormente vocês eram gentios por nascimento e chamados incircuncisão pelos que se chama circuncisão, feito no corpo por mãos humanas, e que naquela época vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, sendo estrangeiros quanto às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo. Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade, anulando em seu corpo a Lei dos mandamentos expressa em ordenanças. O objetivo dele era criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruir a inimizade. Nele vocês também estão sendo edificados juntos, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito.” Efésios 2: 11-16, 22

Conclusão: Só cumpriremos de fato o propósito se caminharmos em unidade, se compreendermos este caminho de renúncia, esvaziamento do “eu” e enchimento de Deus. A verdadeira unidade é constituída por Deus e não por homens.

Aplicação: Gostaria de sugerir um encontro com o seu grupo para a reflexão deste tema e a partir daí definir um tempo de oração, jejum, e consagração em busca da unidade que é gerada por Deus.

Levante-se, uma e outra vez, até que Leões se tornem Cordeiros

Não me equivoquei, é verdade que na última aventura do arqueiro épico de Sherwood, interpretada por Russel Crowe, aparece uma frase antológica:

“Ergue-te e ergue-te novamente, até que cordeiros se tornem leões”.

É uma frase motivacional que cumpre o seu objetivo, impulsionar tímidos e frágeis a converterem-se em guerreiros dispostos a entregar a vida por aquilo que acreditam ser justo.

Eu proponho a frase em seu significado inverso, inspirado nada mais que nas escolhas de vida que tomou outro revolucionário, muito diferente de Robin Hood, e abalou os alicerces de “status quo” de sua época através de suas escolhas tão desconcertantes.

Jesus de Nazaré, o rabino Galileu.

Com uma visão panorâmica, basta dizer que no imaginário coletivo de seus contemporâneos, a esperada vinda do Messias estava rodeada de uma expectativa de guerra.

Mas, Jesus decidiu desde o início desistir de ser um Messias milagreiro, um líder ao estilo dos zelotes ou Macabeus.

O rosto de Deus que Jesus revelou abria as portas de amor e misericórdia a toda essa massa empobrecida, de gente cujas vidas se mantinham longe da salvação pela visão da liderança judaica de seu tempo.

O Reino de Deus havia chegado, libertando os doentes excluídos do culto no Santuário.

Chega livrando os possessos, determinando uma vitória decisiva sobre as forças das trevas.

Chega perdoando os pecadores, mais não através de sacrifícios e abluções.

Chega abrindo as portas do Reino a todas as pessoas que vivem na probreza extrema, que por sua condição, estão impossibilitados de participar diretamente dos sacrifícios rituais.

Acima de tudo, Jesus de Nazaré escolheu por mostrar em suas ações o que pode ser encontrado no íntimo de Deus, o Amor, traduzido em uma vida entregue a Humildade e ao Serviço. Jesus recusou-se terminantemente a liderança patriarcal que havia em seu tempo.

Em sua comunidade se estabeleceu um princípio de “Servir e não ser Servido. Ser o Menor para ser o Maior”.

Sua opção foi tão radical, que Ele mesmo optou por se chamar de “O Filho do Homem”, quando havia tantos títulos messiânicos extraordinários.

Jesus escolheu a imagem de identificação com a humanidade, inspirado nas visões de Ezequiel e Daniel.

Desde o começo, a comunidade cristã levou este princípio em seu seio, uma comunidade onde líderes eram, nem infalível, nem impotente, onde a liderança se baseia na soberania nem na desigualdade de uns com os outros, e sim em uma comunidade onde todos somos irmãos (o evangelho de Mateus registra uma forte advertência de Jesus para não chamar “Pai” a ninguém. Jesus adverte sobre o perigo de que a igreja se converta em um PATRIARCADO, em uma estrutura que promova a desigualdade).

Além disso, Lucas relata a tentação que Jesus teve de tomar Os reinos com sua Glória e Poder. Haverá sido uma advertência para a igreja, de que o convite para tomar o poder político ou religioso com uma intenção dominadora é uma tentação diabólica?

Mas o que aconteceu o que não tinha que acontecer.

A igreja, em diferentes momentos da história até hoje, tem cedido à tentação do mal de deixar de ser a voz da consciência dos governos para querer transformasse na esposa do poder vigente, deixou de ser perseguida para ser perseguidora, deixou de morrer pelo que amava e começou a matar pelo que acreditava.

Me assusta, hoje, em meu contexto evangélico, como se tem promovido a imagem de uma liderança baseada em formatos totalmente contraditórios com a imagem de Jesus. Hoje os líderes entendem seu papel como “ser servidos”, “ser o maior”, “sentar-se nos primeiros bancos”, etc. Sem falar do bom negócio, que para muitos, tornou-se ser um líder cristão.

Não sou radical, não me sinto confortável em uma igreja onde se abusa ou se subestima seus pastores, considerando-os meros empregados religiosos. Falo daqueles modelos que abundam hoje.

Nos modelos atuais, não se pode discordar de seu líder sem que ele imponha seus critérios e sua autoridade com frases como “Não toque no ungido” para esconder sua insegurança. Suas palavras são infalíveis e corretas, sua autoridade é assimilada cegamente, sem discernimento.

Há pessoas que não lêem a Bíblia, sua única fonte de conhecimento de Deus é o seu líder.

Hoje, digo com tristeza, vários de nós, pastores, já não escutamos os outros, só escutamos a nós mesmos. E se há algo perigoso na vida espiritual, é terminar escudando a si mesmo. E assim seguiremos, levantando impérios em nome de Deus, mais no fundo, só serão estruturas religiosas que rendem cultos e devoção ao seu líder fundador.

Talvez a tentação do diabo continue em vigor e quantos já não temos sido seduzidos em seus laços.

“Levantemo-nos uma e outra vez, até que leões se convertam em cordeiros”

Embora pareça minha proposta, não é.

Convido você para abrir a janela em Apocalipse 5. O relato nos leva a um culto celestial. No meio do trono aparece Deus com um livro em sua mão que registra a história da humanidade.

A questão é quem desatará os selos do livro? (Ou seja, quem tomará a história da humanidade em suas mãos). E ninguém em todo o universo é digno de tão importante tarefa.

De repente, João (autor do livro) chora, porque ninguém pode tomar conta de nossa história e dar um sentido e um fim.

Nesse momento clímax, alguém lhe diz para não chorar, porque o Leão da Tribo de Judá venceu.

João procura um leão, mais na cena não aparece um leão e sim um Cordeiro que em sua lã tem as marcas de ter sido sacrificado, mas continua invicto sobre a morte. Está falando de Jesus.

Que imagem mais rica em significado!

O Leão prometido é um Cordeiro.

Um cordeiro que venceu, não através da prepotência e sim através de ser fiel até a morte.

Logo no capítulo 11, aparece uma imagem misteriosa. Duas testemunhas, que tem o poder sobre os elementos da natureza, de suas bocas saem fogo para aqueles que tentam feri-los.Em todo o tempo profetizam, sem que suas profecias falhem. Somente depois de morrerem e serem ressuscitados, as pessoas reconhecem a Deus.

Parece-me que a tese é a mesma. Não é com nossas forças, nem com nossas capacidades, só quando estamos dispostos a morrer, Deus fará o resto.

Mas, infelizmente, sei que esta reflexão e muitas outras não chegarão a provocar mudanças no presente, pois os modelos atuais são muito mais atrativos. Sempre foi atrativo para o ser humano a tendência a se referir a outros e diferenciar-se dos demais. Temos perdido o chamado para influenciar nosso mundo e só nos persegue a idéias de IMPRESSIONAR.

O que nos resta então?

Que Deus nos levante com seu Espírito, que se levantem os que seguem ao Cordeiro, que se levantem uma e outra vez, para que toda a arrogância e desejos de poder cedam a oportunidade de ser verdadeiros facilitadores do Reino dos Céus.

Levante-se, uma vez e outra, até que os Leões se convertam em Cordeiros.

Autor: Ulises Oyarzun

 

 

10 Características do Falso Líder

Em quase todo o lugar existem líderes, ou são líderes natos, ou aprenderam ao longo da vida, ou acham que são líderes. Olhe ao seu redor, no seu ambiente de trabalho, na escola, na igreja, eles estão lá, desenvolvendo suas tarefas. A listagem que eu vi e que colocarei abaixo, foi feita com relação ao ambiente privado, mais acho que pode se adequar também ao serviço público, do qual eu faço parte também.

A busca incessante por lideranças que façam a diferença para o negócio, só tende a aumentar. Mesmo as empresas que já contam com líderes capacitados, que levem suas equipes a terem um ótimo desempenho, continuarão na constante captação de novos talentos e investirão na formação dos líderes do futuro. Apesar dessa visível preocupação focada nas lideranças, há ainda quem detenha o “título” de líder, mas que na verdade, no dia a dia, não consegue nem dar um norte às próprias atividades quanto mais a uma equipe formada por pessoas com experiências e competências comportamentais completamente diferenciadas. Infelizmente, ainda, há pessoas que conseguem “driblar” a real visão de que pertencem ao grupo dos que apenas delegam ordens, mas que nunca conseguirão segurar o “leme” dos profissionais que estão sob suas responsabilidades. Abaixo, seguem algumas características dos falsos líderes.

1 – “Eu sei de tudo. Dou conta do meu departamento e não preciso de modismos”. Um verdadeiro líder sabe que seu desenvolvimento precisa ser constante. E mais: o aprendizado não ocorre somente de maneira formal, através de treinamentos. O gestor precisa ser autodidata e reconhecer que sempre é possível aprender com aqueles que formam seu time.

2 – Se a empresa institui um Programa de Desenvolvimento de Lideranças, o “pseudogestor” entra em pânico e é o primeiro a levantar a “bandeira da resistência”. Tenta convencer os demais gestores de que essa ação, desenvolvida pelo “tal RH”, é apenas para mostrar serviço e finca os “pés” na zona de conforto.

3 – Caso a área de Recursos Humanos procure o “falso líder” para dar respaldo às suas atividades ou, então, firmar parcerias que visem o bem-estar da equipe, torna-se visível a repulsa. Para ele, o RH nada tem a fazer em seu departamento e deve preocupar-se apenas com assuntos burocráticos. A “moda” de RH Estratégico é passageira e sua equipe não necessita de intrusos para atrapalhar.

4 – Quando uma atividade mais complexa precisa ser desenvolvida, o falso líder convocar um ou dois membros da sua equipe para realizar o trabalho. Determina prazos, mas não acompanha o processo. Ao final, cobra o conteúdo produzido, dirige-se à diretoria para cumprir das determinações e, em momento algum, cita que contou com a “ajuda” de terceiros. Os “louros” recaem sobre sua cabeça, o que garante a sua permanência no cargo de “liderança”.

5 – Outra característica de quem se autointitula de líder, mas que na prática passam bem longe, é acreditar que todos que estão ao seu redor cobiçam sua colocação na empresa. Quando identifica alguém que pode destacar-se e chamar a atenção dos dirigentes, imediatamente providencia o desligamento do profissional porque se sente ameaçado.

6 – Para o falso líder, a comunicação interna é pura perda de tempo. E indaga: “Por que parar para conversar com a equipe, se as pessoas terão que parar suas atividades por uma hora ou até menos? Todos têm que continuar a todo o vapor em suas atribuições, afinal são pagos para trabalhar e não para conversar, mesmo que os assuntos estejam relacionados à superação de metas.

7 – E por falar em metas, quando o “falso líder” percebe que seu setor ficará abaixo das expectativas da empresa, utiliza um estimulo motivacional, no mínimo, bizarro. Apela para gritos, ameaças de demissão e chega a cometer ações consideradas como assédio moral.

8 – A política de Portas Abertas para o “falso líder” só deve ser colocada em prática se a outra pessoa detém o título de liderança, é seu superior ou alguém que comparece à empresa para tratar de assuntos do seu próprio interesse

9 – Se uma equipe é o reflexo do seu gestor, aqueles que estão sob o julgo da “falsa liderança” apresentam sinais preocupantes para qualquer empresa como, por exemplo, desmotivação, situações de conflitos constantes entre os pares, presenteísmo, absenteísmo e baixo desempenho.

10 – Um péssimo hábito de um “falso líder” também se apresenta quando o processo de avaliação de desempenho chega às suas mãos, para que ele cumpra o papel de analisar a performance dos liderados. Ao invés de considerar os pontos fortes e aqueles que precisam ser trabalhados em cada pessoa que compõe o time, faz elogios apenas com quem esporadicamente simpatiza e deteriora a imagem dos demais colaboradores, mesmo que tenham uma atuação digna de elogios.

Por: Patrícia Bispo escrito no RH.com.br